Estreia: Centre Georges Pompidou (Paris) 3 de Abril 2002.
direcção artística João Fiadeiro interpretação Ana Borralho, Cláudia Dias, Cláudio da Silva, David Miguel, Gustavo Sumpta, Rui Catalão, Mário Afonso, Márcia Lança e João Fiadeiro luz e vídeo Walter Lauterer som André Pires colaboradores artísticos Rui Catalão, David-Alexandre Guéniot e Marie Mignot assistente de direcção David-Alexandre Guéniot produção executiva RE.AL, estrutura subsidiada pelo Ministério da Cultura (MC) / Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) co-produção Cia. RE.AL, Centro Cultural de Belém (Lisboa), Centre Georges Pompidou/Les Spectacles Vivants (Paris) em co-realização com o Centre National de la Danse, Parc de La Villette dans le cadre des Résidences 2002 (Paris), Lugar Comum – Clube Português das Artes e Ideias (Lisboa).
Existência é uma co-produção
PARC DE LA VILLETTE DANS LE CADRE DES RESIDENCES 2002 (PARIS),
CENTRE GEORGES POMPIDOU/LES SPECTACLES VIVANTS (PARIS),
CENTRE NATIONAL DE LA DANSE (PARIS),
CENTRO CULTURAL DE BELÉM (LISBOA),
LUGAR COMUM – CLUBE PORTUGUÊS DAS ARTES E IDEIAS (LISBOA)
E COMPANHIA RE.AL (LISBOA).
“Agora podemos explicar-nos”: no final de Existência, a companhia do coreógrafo João Fiadeiro senta-se à beira do palco. Debriefing imediato de um espectáculo espontâneo, sem argumento prévio, todos os dias diferente, mas que começa sempre por uma conversa entre o João e Rui Catalão, crítico literário no jornal diário português “Público”. Os bailarinos, sentados em cadeiras ao fundo do palco, ouvem e concentram-se sobre o assunto. Ontem, a liberdade. Esta noite: a vadiagem. Cabe, em seguida, a cada um construir a sua personagem, fazer o seu filme num show aleatório. O jornalista monologa, um casal ensaia uma osmose, uma menina chora num canto, indo depois desenhar, na parede do fundo, tudo o que vê, retransmissão gráfica em directo.
Encenador fora e dentro do palco, João envolve, move os bailarinos, empresta-lhes um micro, fá-los dividirem-se. Mestre do jogo e da cerimónia, rege sem ordenar, compõe os corpos para melhor os deixar fluir: na véspera, num ensaio, um deles chegou mesmo a defecar no palco, provocando a ira dos directores do teatro.
Interpelado, quando fica, o público presta-se ao jogo. Na semana anterior, num ensaio público, em Villette, João amarrou um espectador enervado a uma bailarina provocadora. Esta noite, duas pessoas experimentam uma cadeira que está a desabar, depois uma rapariga sobe ao palco, retira a fita do cabelo e esbofeteia João que lhe retribui com um estalo na face. Arriscado para todos. No decurso do espectáculo, a sala esvazia-se para metade, saindo, por vezes de forma barulhenta, aquele público, simpaticamente cultural, que não suporta ser perturbado nos seus hábitos. Mas, aqueles que ficam, fazem-no de forma intensa para viver a experiência aleatória de uma coreografia que não existia como tal na véspera, e não será a mesma amanhã. Outros vão lá todos os dias, como a bailarina Sabine Lasserre: “Gostaria que durasse um ano, que houvesse assim em Paris um espaço onde existir diferentemente todos os dias”.
Jean-Max Colard (Les Inrockuptibles, 17/23 de Abril 2002)

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